A Catedral Episcopal Sainte-Trinité ficava no coração de Porto Príncipe, a poucos quarteirões da Catedral Católica de Notre-Dame. Era famosa pelos seus murais internos, que recontavam cenas bíblicas com figuras negras e paisagens haitianas, um gesto revolucionário de identidade cultural e religiosa. Hoje, restam paredes parciais e fragmentos de murais que resistiram ao terremoto de 2010.
História
A catedral foi construída entre 1924 e 1949, durante a consolidação da Igreja Episcopal no Haiti. Nos anos 1950, o bispo Alfred Voegeli encomendou uma série de murais bíblicos a artistas haitianos, entre eles Philomé Obin, Castera Bazile, Wilson Bigaud e Gabriel Leveque, grandes nomes do movimento de arte haitiana moderna. O resultado foi um conjunto inédito: murais coloridos que retratavam Jesus, Maria e os apóstolos como haitianos, com roupas e cenários locais, algo profundamente inovador e identitário.
Infelizmente, o terremoto de 12 de janeiro de 2010 destruiu quase toda a catedral e danificou irremediavelmente os murais, dos quais apenas três fragmentos foram salvos e estão hoje preservados no Smithsonian Museum, em Washington D.C.
Se possível, vá com guia local, que pode contar histórias comoventes sobre o terremoto e a antiga vida religiosa da cidade.
Se você curte arte, vale ver online os murais digitalizados pelo Smithsonian, pra entender a grandiosidade do que foi perdido.
Alerta:
Evite o interior das ruínas, pois a estrutura continua instável e o acesso é proibido por segurança.
Curiosidade:
Os murais originais retratavam 15 cenas bíblicas, como o Batismo de Cristo e a Última Ceia, todas com personagens negros haitianos.
Apenas três murais foram recuperados após o terremoto; o restante se perdeu sob os escombros.
A catedral abrigava também o Conservatório Sainte-Trinité, um importante centro de música clássica haitiana, que foi totalmente destruído.
Os murais da Sainte-Trinité aparecem em documentários como Saving Haiti’s Heritage (Smithsonian Channel), que acompanha o resgate das obras após o terremoto.