O Johannesburg Holocaust & Genocide Centre é um memorial, museu e centro educacional dinâmico. Longe de ser um lugar focado apenas em estatísticas ou dor, a exposição permanente é desenhada de forma humana, focada em escolhas, vozes de sobreviventes, resistência e resiliência.
História
As sementes do centro foram plantadas em 1994, quando uma exposição sobre Anne Frank em Joanesburgo atraiu multidões (e contou com a presença de Nelson Mandela e do Arcebispo Desmond Tutu). O impacto foi tão grande que a historiadora Tali Nates (filha de um sobrevivente do Holocausto que foi salvo por Oskar Schindler) fundou o centro em 2008. Após anos operando em um local provisório, o museu inaugurou sua belíssima e comovente sede própria em 2019.
Repare em como a curadoria do museu coloca lado a lado os eventos da Alemanha Nazista e de Ruanda. Ver como os discursos de ódio e a propaganda desumanizadora funcionaram de forma idêntica em épocas e continentes diferentes é uma das partes mais impactantes da experiência.
O espaço externo conta com uma fonte e um projeto paisagístico desenhado para o silêncio e a contemplação. É o lugar perfeito para sentar e processar a carga emocional densa do museu antes de voltar para a agitação da cidade.
Alerta:
Por questões de segurança global e controle de acesso do centro, é obrigatório apresentar um documento com foto (como seu passaporte ou carteira de motorista) na recepção para poder entrar no complexo.
A exposição é extremamente tocante e explora episódios reais de extrema crueldade humana. Pode ser um passeio muito pesado e sensível para crianças pequenas ou pessoas que absorvem demais a carga emocional de tragédias históricas.
É proibido fotografar ou filmar as principais salas da exposição permanente em respeito à memória das vítimas e por direitos autorais dos depoimentos expostos. Fotos são permitidas apenas nas áreas externas, pátios e jardins.
Curiosidade:
A arquitetura do prédio é cheia de simbolismos: linhas de trem retorcidas cercam a estrutura (lembrando os trens de deportação) e árvores de bétula e yellowwood lembram as florestas onde muitos massacres aconteceram.
Quando Nelson Mandela e seus companheiros de luta estavam presos na Ilha de Robben, um dos poucos livros que circulavam clandestinamente e passavam de mão em mão entre as celas era justamente O Diário de Anne Frank. Mandela declarou publicamente que a leitura daquele diário foi uma das maiores fontes de inspiração e coragem para que eles continuassem resistindo ao Apartheid atrás das grades.
A fundadora do museu, Tali Nates, tem a história da sua própria vida entrelaçada ao acervo. Seu pai, Moses Turner, e seu tio foram operários poloneses incluídos na famosa "Lista de Schindler". Graças a isso, eles sobreviveram à guerra, permitindo que gerações depois, na África do Sul, sua filha criasse um centro focado em combater o preconceito e evitar novos genocídios.
Tendo passado várias vezes por este museu no trânsito matinal, finalmente decidi entrar. Não é um museu óbvio, pois não há sinalização na Avenida Jan Smuts, mas a arquitetura exterior sempre me chamou a atenção. A exposição sobre Ruanda vale muito a pena para entender o genocídio ruandês, as pessoas envolvidas e os eventos que levaram às atrocidades. Muito bem organizada, informativa e visualmente impressionante. A seção do museu dedicada ao Holocausto oferece uma visão sobre os judeus que vieram para a África do Sul, particularmente para Joanesburgo, proporcionando uma conexão local. Tudo isso está instalado em um belo edifício arquitetônico. O museu é pequeno, mas vale muito a pena a visita e certamente o fará refletir.
O projeto tenta oferecer uma experiência imparcial, mas é impossível não se deixar impactar pelas imagens e pelas histórias escritas. Isso me afetou profundamente.