Visitar o Camboja é muito mais do que “apenas” os extraordinários templos de Angkor. Embora o complexo arqueológico seja, com razão, o grande cartão-postal do país, uma viagem pelo território revela também cidades históricas, comunidades às margens do Tonlé Sap e do Mekong, praias e ilhas tropicais, áreas de floresta e destinos onde as tradições locais continuam muito presentes.
Neste guia, eu reuni 12 destinos turísticos imperdíveis para quando você visitar o Camboja, desde os grandes clássicos até opções menos óbvias incríveis!

Onde ficam os principais destinos do Camboja?
Os principais destinos turísticos do Camboja estão espalhados por diferentes regiões do país, desde as áreas arqueológicas do noroeste até as praias e ilhas do litoral sul. Para facilitar a organização da viagem, podemos agrupá-los em três grandes áreas:
🏛️ Noroeste e centro-norte (Northwestern): É a região mais indicada para quem quer mergulhar na história e na herança do antigo Império Khmer.
🌿 Centro e nordeste (Mekong lowlands e Eastern): É uma área que combina vida urbana, comunidades ribeirinhas, observação da natureza e experiências de ecoturismo. Por exemplo, é aqui que está a capital Phnom Penh.
🌊 Sul (Cardomom and Elephant Mountains): Kampot, Kep e Sihanoukville formam o principal eixo turístico do litoral cambojano, que inclui algumas das ilhas mais conhecidas do país.

1 – Siem Reap: Angkor
Para muita gente, Siem Reap é a porta de entrada para conhecer os templos de Angkor. Porém, acho que vale explicar aqui que, embora os dois nomes muitas vezes apareçam praticamente como sinônimos, Siem Reap é a cidade e Angkor é o enorme complexo arqueológico nos arredores.
Aliás, o Parque Arqueológico de Angkor ocupa cerca de 400 km² e reúne vestígios das sucessivas capitais do Império Khmer entre os séculos IX e XV. É ali que estão alguns dos monumentos mais impressionantes do Sudeste Asiático, como, por exemplo, Angkor Wat, Bayon, Ta Prohm e Angkor Thom. Mas Angkor está longe de se resumir a esses cartões-postais: o complexo reúne dezenas de templos e vestígios urbanos espalhados por uma área enorme.




A própria cidade de Siem Reap, por sua vez, merece um tempinho da sua viagem. Isso, porque, além das visitas aos templos, a cidade borbulha com mercados, restaurantes, vida noturna e experiências ligadas à cultura Khmer.





📌 ATENÇÃO: Se você quer saber tudo sobre Siem Reap e Angkor, vejam esse meu guia exclusivo. Nele, eu detalho os principais templos, circuitos, atrações da cidade, experiências, ingressos e todas aquelas informações práticas que não caberiam neste post!
2 – Phnom Penh
Na confluência dos rios Mekong, Tonlé Sap e Bassac, Phnom Penh é a capital e maior centro urbano do Camboja. A cidade tem uma combinação super interessante de arquitetura, religião, mercados, gastronomia e, sobretudo, oportunidades de entender melhor a história do país.
Entre os principais pontos turísticos estão o Palácio Real, a Pagoda de Prata, o Monumento à Independência, o Museu Nacional do Camboja e o Wat Phnom, templo associado às origens da cidade.


Os mercados também fazem parte da experiência, especialmente o Psar Thmey (Mercado Central), instalado em um marcante edifício art déco.

2.1 – Khmer Rouge
Mas conhecer Phnom Penh também significa entrar em contato com um dos períodos mais dolorosos da história cambojana. O Khmer Vermelho foi um movimento comunista radical que governou o Camboja entre 1975 e 1979 sob a liderança de Pol Pot, instituindo um regime brutal que esvaziou cidades, aboliu a propriedade privada e a moeda, e resultou no genocídio de cerca de dois milhões de pessoas por fome, trabalho forçado e execuções massivas.


2.1.1 – Choeung Ek Killing Fields: os campos de concentração do Camboja
Por isso, é quase obrigatório visitar o memorial de Choeung Ek, um dos chamados Killing Fields, ou campos de concentração. Eles preservam a memória das atrocidades cometidas durante o regime do Khmer Rouge.


ATENÇÃO:
- Cuidado ao caminhar por lá, pois há sinalizações de locais onde você não deve pisar… Isso, porque, há ossos humanos nessa área e eles querem preservá-los na forma que foram deixados pelos seguidores de Pol Pot.
- Respeite as área que preservam a memória das vítimas, inclusive crianças, mortas pelo regime do Khmer Rouge: e, claro, modere o tom nas fotos e selfies!


2.1.2 – Tuol Sleng Genocide Museum: a antiga prisão S-21
Em seguida, vale incluir no roteiro o Tuol Sleng Genocide Museum, que fica na antiga prisão S-21, pra onde íam muitos dos perseguidos políticos do regime. Eu sei que são visitas difíceis, sombrias, mas MUITO importantes para compreender a história recente do país.


3 – Battambang
Segunda maior cidade do país, Battambang preserva construções do período colonial e uma atmosfera mais tranquila. Entre as atrações da região estão templos históricos, como Wat Ek Phnom e Wat Banan, além das áreas rurais onde é possível observar atividades tradicionais e conhecer uma faceta mais cotidiana do país.



Além disso, um dos passeios mais conhecidos é o chamado Bamboo Train, uma pequena plataforma sobre trilhos que se tornou uma das experiências turísticas mais curiosas da região. Embora a atração tenha passado por mudanças ao longo dos anos, a ferrovia continua fazendo parte da identidade turística de Battambang.
Outro destaque é Phnom Sampow, uma colina com templos, mirantes e locais ligados à história do Khmer Rouge. Era nas “Killing Caves” (Cavernas da Morte), que milhares de vítimas do regime foram executadas e jogadas em poços naturais na rocha.
No entanto, ao entardecer, essa parte triste dá lugar ao espetáculo natural de milhares de morcegos deixando uma caverna ao mesmo tempo!

4 – Templo de Preah Vihear
No extremo norte do Camboja, junto à fronteira com a Tailândia, fica um dos templos mais impressionantes (e menos visitados!) do país. O Templo de Preah Vihear, em homenagem ao deus hindu Shiva, remonta aos séculos IX e XII. Aliás, sua localização é parte importante da experiência: uma longa sequência de santuários, pátios e escadarias acompanha a subida das montanhas Dangrek até o templo principal, de onde se descortinam amplas paisagens do território cambojano.
O templo é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2008 e também tem uma história marcada por disputas territoriais entre Camboja e Tailândia. Aliás, a UNESCO destaca que seu valor está tanto na qualidade da arquitetura quanto na adaptação do conjunto à paisagem natural.


5 – Sambor Prei Kuk
Muito anterior a Angkor, Sambor Prei Kuk corresponde às ruínas de Ishanapura, uma importante capital do antigo reino de Chenla, que floresceu entre o final do século VI e o início do século VII. O conjunto reúne mais de uma centena de templos e estruturas religiosas, muitos deles construídos em tijolos e integrados à floresta.
Aliás, é justamente esse o diferencial em relação à grandiosidade monumental de Angkor. Isso, porque, em Sambor Prei Kuk, os templos se espalham pela vegetação e têm estruturas menores. Ou seja, aqui você encontra uma atmosfera muito mais silenciosa!


6 – Tonlé Sap
O Tonlé Sap é o maior lago de água doce do Sudeste Asiático e um dos elementos naturais mais importantes do Camboja. Porém, sua característica mais curiosa é sua sazonalidade. Isto, porque, durante a estação chuvosa, o nível do lago sobe drasticamente e o fluxo do rio Tonlé Sap se inverte, conectando o lago ao Mekong e expandindo enormemente sua área.
Além disso, o lago sustenta comunidades inteiras. Aldeias construídas sobre palafitas ou estruturas flutuantes se adaptam às variações do nível da água, e a pesca continua sendo fundamental para a economia e a alimentação de grande parte da população da região.
DICA: O Tonlé Sap costuma ser explorado em passeios de barco, especialmente a partir de Siem Reap, com visitas a comunidades como Kampong Phluk e Kampong Khleang.



CURIOSIDADE: O Tonlé Sap faz parte de um sistema hidrológico excepcional. Durante boa parte do ano, o rio Tonlé Sap corre do lago em direção ao Mekong; na estação das chuvas, a elevação do nível do Mekong faz o fluxo se inverter e alimentar o próprio lago.
7 – Mondulkiri
Pertinho da fronteira com o Vietnã, Mondulkiri exibe colinas verdes, florestas, cachoeiras e áreas de planalto. Por isso, é uma das regiões mais importantes do Camboja para o ecoturismo. A principal base para explorar a região é Sen Monorom, e entre os destaques estão a cachoeira de Bousra, mirantes (como o Sea Forest ou Samot Cheur) e trilhas por florestas.
Mondulkiri também é conhecida pela presença do povo Bunong, comunidade indígena tradicional da região, cuja relação histórica com a floresta e os elefantes faz parte da identidade local. Para quem deseja conhecer esses animais, existem projetos de conservação e santuários que oferecem experiências de observação e acompanhamento dos elefantes sem montaria, algo importante para quem busca uma atividade de turismo responsável.


8 – Kratie
Às margens do Mekong, Kratie é uma cidade tranquila que combina arquitetura colonial, paisagens ribeirinhas e uma das experiências de vida selvagem mais emblemáticas do Camboja: a possibilidade de observar os raros golfinhos-do-Irrawaddy.
O principal ponto de observação fica em Kampi, cerca de 15 km ao norte de Kratie. Os passeios são feitos de barco pelo Mekong e dependem das condições do rio e do comportamento dos animais, portanto avistamentos não são garantidos.

Mas Kratie não se resume aos golfinhos. A própria cidade conserva construções de influência francesa e Khmer, enquanto a região oferece passeios pelo Mekong e experiências de turismo comunitário. Koh Pdao, por exemplo, combina hospedagem em comunidade, atividades rurais, passeios de bicicleta e observação de golfinhos.


9 – Kampot
Kampot é uma das cidades mais agradáveis do sul do Camboja que ficou famosa internacionalmente pela produção de pimenta-de-Kampot. No entanto, a cidade funciona como base para explorar os arredores, especialmente o Parque Nacional de Bokor, nas Montanhas dos Elefantes. No alto da montanha ficam as ruínas da antiga Bokor Hill Station, construída durante o período colonial francês, além de mirantes, florestas e cachoeiras como Popokvil.

DICA: Você pode visitar uma das plantações de pimenta da região, conhecendo o processo de cultivo e, em alguns casos, participando de degustações.
🌶️ CURIOSIDADE: A pimenta de Kampot possui indicação geográfica protegida e é considerada um dos produtos agrícolas de maior prestígio do Camboja. Existem variedades preta, vermelha, branca e verde, com características de sabor diferentes.

10 – Kep
Pequena e tranquila, Kep é uma antiga cidade balneária que ganhou fama durante o período colonial francês e posteriormente se tornou um dos destinos costeiros mais tradicionais do Camboja. O grande destaque gastronômico é o caranguejo de Kep, vendido fresco no famoso Crab Market, onde restaurantes e barracas preparam os frutos do mar praticamente à beira-mar.



DICAS:
- Para quem quiser sair da praia, o Parque Nacional de Kep ocupa as colinas atrás da cidade e oferece trilhas, vegetação tropical e mirantes para o litoral.
- Outro passeio bastante procurado é Koh Tonsay, conhecida como Rabbit Island, uma pequena ilha próxima à costa de Kep. A atmosfera é bem mais rústica e tranquila do que a das grandes ilhas turísticas do sul.
11 – Sihanoukville
Sihanoukville, oficialmente Preah Sihanouk, é o principal centro turístico e portuário do litoral cambojano e funciona como uma das principais portas de acesso às ilhas do Golfo da Tailândia. A cidade passou por uma transformação bastante intensa nas últimas décadas, com grande expansão urbana e turística, mas continua sendo uma base importante para quem pretende seguir para o arquipélago de Koh Rong.
Entre as praias da região estão Otres Beach e Ochheuteal Beach, além de áreas de resorts e hotéis. Mas, para muitos viajantes, o principal motivo para incluir Sihanoukville no roteiro é mesmo a possibilidade de seguir de barco para as ilhas.

11.1 – Koh Rong

A maior e mais conhecida das ilhas do arquipélago, Koh Rong combina praias de areia clara, águas tropicais e uma oferta variada de hospedagem. A ilha consegue atender desde viajantes em busca de uma experiência mais simples e descontraída até quem prefere resorts à beira-mar.
11.2 – Koh Rong Samloem
Vizinha de Koh Rong, Koh Rong Samloem costuma ter uma atmosfera mais tranquila e menos desenvolvida. É uma boa escolha para quem procura alguns dias de praia, descanso e contato com a natureza, embora a infraestrutura varie bastante entre as diferentes áreas da ilha.

12 – Banteay Chhmar
Construído no final do século XII e início do século XIII, durante o reinado de Jayavarman VII, o complexo de Banteay Chhmar impressiona pelas enormes dimensões e, principalmente, pelos seus elaborados baixos-relevos. Entre as cenas representadas estão batalhas, procissões e episódios relacionados ao próprio rei e ao universo religioso do período.
Banteay Chhmar também se destaca pelo ambiente: parte das estruturas permanece cercada pela vegetação, e o estado relativamente pouco restaurado de alguns setores ajuda a transmitir uma sensação de descoberta que dificilmente existe nos monumentos mais famosos de Angkor.

Enfim, gente, o Camboja pode até ser lembrado primeiro pelos templos de Angkor, mas, como vimos, o país vai muito além deles. Entre cidades históricas, sítios arqueológicos, comunidades do Tonlé Sap e do Mekong, florestas, montanhas, praias e ilhas tropicais, há experiências para diferentes estilos de viagem.
Então, se você gosta de natureza, aventura, praias e experiências culturais, o Camboja tem tudo para entrar na sua lista de desejos.

