Ao visitar Chipre, você pode passar de um dia relaxando em uma praia do Mediterrâneo a explorar ruínas de milhares de anos, percorrer as montanhas de Troodos ou descobrir pequenas aldeias onde tradições antigas continuam vivas. E tudo isso em uma ilha relativamente compacta, que permite combinar experiências bem diferentes na mesma viagem.
Neste post, eu reuni 14 destinos turísticos de Chipre que representam a imensa diversidade cultural e histórica da ilha, mas também incluí a (polêmica) República Turca do Norte do Chipre como um dos destinos (ainda que ela vá ganhar um post próprio)! Então, partiu Chipre!

Onde ficam os principais destinos de Chipre?
Chipre é a terceira maior ilha do Mediterrâneo, e seus principais destinos estão espalhados por diferentes regiões. Para facilitar, dá para pensar no país em três grandes áreas: o litoral, onde estão as principais cidades e praias; o interior montanhoso, dominado pelas montanhas de Troodos; e as áreas rurais e naturais que ocupam boa parte do restante da ilha.
🌊 Litoral sul e sudeste: É onde estão Larnaca, Limassol, Ayia Napa e Protaras, e, por isso, é a região mais procurada pelas praias.
🏺 Oeste e noroeste: A região reune sítios arqueológicos, praias, vilarejos e paisagens naturais incríveis. Por exemplo, é aqui ficam Paphos, Polis e Latchi e a Península de Akamas.
🏛️ Centro e interior: No coração da ilha está Nicosia, enquanto as áreas mais rurais abrigam Lefkara e diferentes regiões produtoras de vinho. Além disso, aqui fica a grande área montanhosa de Troodos, com seus vilarejos, trilhas e paisagens alpinas.
Norte de Chipre: Ao norte está a área administrada pela chamada República Turca do Norte do Chipre, separada da área sob controle da República de Chipre por uma zona-tampão da ONU.

1 – Nicósia (Lefkosia – Λευκωσία)
O centro histórico da capital de Chipre é cercado por muralhas venezianas do século XVI, com ruelas, praças, igrejas e edifícios históricos. Entre os destaques estão, por exemplo, a Catedral de São João, o Museu de Chipre, o principal museu arqueológico do país, e a Laiki Geitonia, uma área tradicional que concentra restaurantes, cafés e lojinhas.



DICA: Um passeio pela Ledras Street é praticamente obrigatório enquanto você estiver por Nicosia. Isso, porque, essa rua de pedestres é o coração da capital cipriota, e reúne lojinhas, cafés e uma atmosfera super legal.
1.3 – Linha Verde: atravessando para a República Turca do Norte do Chipre
No entanto, uma das experiências mais interessantes é justamente conhecer a região próxima à Linha Verde, que corta o coração da cidade. Esta “linha”que é, na verdade, uma faixa abandonada, divide a área administrada pela República de Chipre da parte norte da cidade, que se mantém sob controle turco-cipriota.
Há pontos onde é possível atravessar para o outro lado mediante os procedimentos de fronteira aplicáveis: algo que, para quem nunca esteve em uma cidade dividida, torna a visita especialmente curiosa.
Aliás, nós cruzamos justamente o ponto mais famoso, no final da Ledras Street, e posso afirmar com toda certeza: foi uma experiência por si só!
CURIOSIDADE: A propósito, esta escultura que as nossas mochileirinhas estão interagindo na foto é um monumento à liberdade…algo bem crítico quando falamos da divisão da ilha de Chipre!

Ao longo de toda a capital, é possível encontrar barragens de diversos estilos pela ruas e becos, desde portões pintados de verde e guaritas “fantasma”, até barricadas que usam latas verdes e bloqueiam a passagem.


2 – Pafos (Paphos – Πάφος)
Na costa oeste de Chipre, Paphos combina praias, história e mitologia em uma proporção difícil de encontrar em outros lugares da ilha. Segundo a tradição, foi nas proximidades de Paphos que Afrodite, deusa grega do amor, teria surgido do mar!
O grande destaque, porém, é arqueológico. O Parque Arqueológico de Paphos, Patrimônio Mundial da UNESCO, reúne impressionantes ruínas da antiga cidade, incluindo algumas das mais famosas casas romanas com mosaicos de Chipre. A Casa de Dionísio, a Casa de Teseu e a Casa de Aion estão entre os principais destaques.
Outro ponto interessante é o Túmulo dos Reis, uma grande necrópole escavada na rocha que, apesar do nome, pertencia a membros da elite de Paphos.


2.1 – Praia de Paphos
E Paphos não vive apenas de história, pois o porto, a orla e as praias ajudam a completar o passeio. Enquanto a Rocha de Afrodite (Petra tou Romiou) te permite explorar a forte ligação da região com a mitologia grega, a Coral Bay é um convite à diversão! Além disso, o próprio calçadão de Paphos é imperdível para quem estiver visitando a cidade.




2.2 – Curiosidades sobre a origem de Afrodite em Chipre

- O nome Afrodite significa “nascida da espuma”.
- Existem muitos mitos sobre o seu nascimento, mas, segundo o mais famoso, ela surgiu do mar, justamente da ESPUMA nas ondas que desembocam na praia.
- Isso aconteceu depois de Cronos CASTRAR seu pai Urano (enquanto este estava no meio “do ato” com Gaia) e jogar os “restos” das partes íntimas dele no oceano.
- Foi justamente quando o membro mutilado de Urano tocou o mar que nasceu Afrodite: daquela espuma que se formou.
- Ela nasceu já adulta, dentro de uma grande concha, bem aqui onde, atualmente, fica esta pedra.
3 – Limassol (Lemesos – Λεμεσός)
A segunda maior cidade de Chipre tem uma atmosfera moderna, animada e voltada para o mar, combinando uma longa orla com um centro histórico que preserva importantes vestígios do passado. No coração da cidade fica o Castelo de Limassol, que hoje virou sede do Museu Medieval de Chipre. Já a Molos Promenade acompanha a costa e é um dos melhores lugares para caminhar e observar a vida local.


4 – Lárnaca (Larnaka – Λάρνακα)
Lárnaca é uma das cidades mais antigas de Chipre e uma ótima porta de entrada para quem quer combinar praia com história. O centro é relativamente compacto e permite conhecer os principais pontos a pé, com destaque para o animadíssimo calçadão de Finikoudes.


Um dos grandes destaques é a Igreja de São Lázaro, construída no século IX sobre o local onde, segundo a tradição, Lázaro teria sido sepultado depois de viver seus últimos anos em Chipre. A poucos passos dali está o Castelo Medieval de Larnaca, construído durante o período medieval e hoje transformado em museu.


4.1 – Lago Salgado de Lárnaca
Outro cenário bem característico daqui é o Lago Salgado de Larnaca, especialmente interessante nos meses de inverno, quando costuma receber grandes grupos de flamingos. Próximo a ele está a Hala Sultan Tekke, uma das mais importantes mesquitas de Chipre e um importante local de peregrinação muçulmana.

5 – Agia Napa (Ayia Napa – Αγία Νάπα)
Se a ideia é encontrar as praias mais famosas de Chipre, provavelmente você vai acabar aqui no extremo sudeste da ilha. Ayia Napa é conhecida tanto pelas praias quanto pela vida noturna, mas seu litoral vai muito além das festas. Nissi Beach é o cartão-postal mais famoso, enquanto Makronissos Beach e as praias da região oferecem águas rasas e cristalinas.




Por outro lado, o Cape Greco é uma das áreas naturais mais bonitas da costa, com falésias, cavernas marinhas e mirantes. Por exemplo, a Ponte do Amor (Bridge of Love) é uma visita quase obrigatória nesta área.



5.1 – Protaras (Πρωταράς)
Mais tranquila, Protaras é especialmente conhecida pela Fig Tree Bay, uma das praias mais bonitas e populares do país. A região também é ótima para atividades no mar, como snorkeling e mergulho. Então, enquanto Ayia Napa foca na badalação e na vida noturna forte, Protaras costuma agradar mais quem busca praias e um ambiente familiar.



6 – Troodos (Τρόοδος)
Em vez de praias e resorts, nas montanas de Troodos encontramos florestas, vales, cachoeiras, vilarejos de pedra e estradas sinuosas que sobem pelas encostas. O Monte Olimpo, com 1.952 metros, é o ponto mais alto de Chipre e, no inverno, a área abriga a principal estação de esqui da ilha. Por outro lado, no restante do ano, as montanhas são procuradas principalmente por quem quer fazer trilhas e fugir do calor do litoral.
Além disso, a região abriga vilarejos tradicionais, como Kakopetria, Platres e Pedoulas, além de várias das famosas igrejas bizantinas com afrescos que fazem parte do Patrimônio Mundial da UNESCO.


ATENÇÃO: Não tente conhecer Troodos correndo, porque, além da região ser grande, as estradas são bem sinuosas e pode tomar bastante tempo indo de um vilarejo a outro.

7 – Igrejas e mosteiros de Chipre
O patrimônio religioso de Chipre abrange igrejas, capelas e mosteiros de diferentes épocas e tradições, e está espalhado por toda a ilha. Contudo, o grande destaque fica nas montanhas de Troodos, onde estão as famosas 10 Igrejas Pintadas de Troodos, Patrimônio Mundial da UNESCO. Nelas, você poderá admirar afrescos extraordinários que registram cerca de cinco séculos de arte bizantina e pós-bizantina.
Entre os destaques estão, por exemplo, o Mosteiro de São João Lampadistis, em Kalopanayiotis, e as igrejas de Agios Nikolaos tis Stegis, Panagia Asinou, Panagia tou Araka e Archangelos Michael, entre outras. A arquitetura também é curiosa: muitas dessas construções possuem telhados inclinados de madeira, uma característica bastante particular das igrejas rurais de Troodos.



8 – Cúrio (Kourion – Κούριο)
Se você gosta de arqueologia, Kourion é uma das antigas cidades-reino mais importantes da ilha. Ela fica no alto de uma colina com vista para o Mediterrâneo e reúne ruínas que contam uma história que atravessa os períodos helenístico, romano e cristão. O grande destaque é o teatro greco-romano, do século II a.C., mas que ainda recebe apresentações culturais durante o verão!
O complexo também reúne mosaicos muito bem preservados, que você encontra, por exemplo, na Casa de Aquiles, na Casa dos Gladiadores, na antiga ágora romana, no ninfeu e na basílica cristã. A cidade foi destruída por um forte terremoto em 365 d.C., ajudando a explicar o abandono de boa parte do antigo núcleo urbano.


9 – Kolossi (Κολόσσι)
A fortificação original do Castelo de Kolossi remete ao século XIII, mas ele passou por uma reconstrução no século XV, quando ganhou a forma que vemos atualmente. A torre principal é compacta, mas impressiona pela arquitetura militar e pela localização. Ao lado ainda podem ser vistas as ruínas de um antigo moinho de açúcar do século XIV.

Além disso, o castelo ficou ligado aos Cavaleiros de São João de Jerusalém e, posteriormente, aos Cavaleiros Templários. Mas sua história também tem uma ligação curiosa com um dos produtos mais tradicionais de Chipre: durante o período dos cavaleiros, a região produzia e exportava um vinho doce chamado vin de Commanderie, antecessor da atual Commandaria, considerada uma das mais antigas denominações de vinho ainda existentes.
10 – Vilarejos e regiões vinícolas de Chipre
A tradição de produzir vinho em Chipre é antiquíssima, porque há evidências arqueológicas de produção de vinho na ilha há milhares de anos! Atualmente, existem sete rotas vinícolas oficiais, espalhadas por diferentes regiões, passando por vinhedos, pequenas vinícolas e vilarejos tradicionais.


Entre os lugares mais interessantes estão, por exemplo, Omodos (Όμοδος), Laneia (Λάνεια), Vouni (Βουνί), Koilani (Κοιλάνι) e Arsos (Άρσος Λεμεσού). Omodos é especialmente charmoso, com suas ruas de pedra, casas tradicionais, vinícolas, antigo lagar medieval e o Mosteiro de Timios Stavros. Já Lania conserva um antigo lagar e um museu dedicado à produção da Commandaria, o famoso vinho doce cipriota.



CURIOSIDADES:
E falando em Commandaria, esse vinho merece uma atenção especial: a rota dedicada a ele passa por 14 vilarejos e está ligada à tradição dos Cavaleiros de São João, que aperfeiçoaram sua produção durante a Idade Média.
Aliás, esse é considerado o vinho com o nome mais antigo ainda em produção no mundo!!!
E, sim, nós fomos até Laneia, na ilha de Chipre, pra conseguir a nossa “provinha”…deu pra sentir a nossa felicidade?
11 – Lefkara (Πάνω Λεύκαρα)
As ruas estreitas e sinuosas de Lefkara são cercadas por casas tradicionais de pedra e telhados de terracota, mas o grande motivo para a fama do lugar está nas mãos de seus artesãos. Lefkara é famosa mundialmente pelo lefkaritika, um tipo tradicional de bordado de renda praticado na vila desde o período veneziano, além da delicada ourivesaria em filigrana de prata. Para conhecer melhor essas tradições, vale visitar o Museu de Bordado Tradicional e Ourivesaria, instalado em uma antiga casa tradicional.


CURIOSIDADE: Existe ainda uma famosa história segundo a qual Leonardo da Vinci teria visitado Lefkara em 1481 e comprado ali uma toalha de altar de renda para a Catedral de Milão. A história faz parte da tradição local e ajuda a explicar por que o bordado se tornou um dos símbolos do vilarejo.

12 – Península de Akamas (Ακάμας)
No extremo noroeste de Chipre, a Península de Akamas é o lugar para trocar praias de resort por uma natureza muito mais selvagem. A região reúne florestas, desfiladeiros, cavernas, praias isoladas e uma enorme diversidade de flora e fauna, incluindo áreas utilizadas para a reprodução de tartarugas-marinhas. Um dos pontos mais conhecidos são os Banhos de Afrodite, uma pequena gruta natural cercada por vegetação onde, segundo a mitologia, a deusa costumava se banhar.
O local é também o ponto de partida de trilhas como as de Afrodite e Adônis, ambas com cerca de 7,5 km. Para quem gosta de caminhar, há ainda trilhas como a Smigies, com opções de 2,5 ou 6 km, e a Pissouromoutti, de 3 km, que oferecem belas vistas sobre as duas costas da península. A região também abriga a Garganta de Avakas, conhecida por suas formações geológicas impressionantes.

12.1 – Polis (Πόλη Χρυσοχούς) e Latsi (Latchi – Λατσί)
Polis é uma pequena cidade cercada por uma paisagem rural tranquila, enquanto Latchi mantém o perfil de antigo vilarejo de pescadores, com um porto cheio de restaurantes especializados em peixes e frutos do mar. Aliás, do porto de Latchi partem embarcações em direção às enseadas e à famosa Blue Lagoon, enquanto os Banhos de Afrodite ficam logo ali do lado.
Polis também guarda um interessante patrimônio arqueológico, já que a região corresponde à área das antigas cidades de Marion e Arsinoe, e possui um pequeno museu arqueológico. Mais recentemente, ganhou ainda o Museu do Mar e da Cultura de Polis-Latchi, dedicado à história marítima de Chipre.


13 – República Turca do Norte do Chipre
A porção norte da ilha é administrada “de facto” pela República Turca do Norte do Chipre (RTNC), entidade proclamada em 1983 e reconhecida internacionalmente apenas pela Turquia. A divisão da ilha é marcada pela Linha Verde, uma “zona-tampão” sob responsabilidade da ONU, que atravessa inclusive a capital Nicósia.
Para o viajante, essa região guarda alguns dos lugares históricos mais impressionantes de Chipre, incluindo Kyrenia (Girne), Famagusta (Gazimağusa) e sua “cidade fantasma”, a antiga cidade de Salamis, o Mosteiro de Bellapais e a região da Península de Karpaz.

No entanto, não vou destrinchar esses lugares aqui neste post. Isso, porque, a região merece um post próprio, tanto pela quantidade de atrações quanto pelo contexto histórico e político que precisa ser apresentado com cuidado. Vem aí!

Enfim, gente, Chipre é uma ilha que surpreende justamente pela diversidade: praias paradisíacas, ruínas milenares, montanhas, vilarejos, vinhos e um patrimônio cultural riquíssimo cabem em um território relativamente pequeno.
Então, acho que ficou claro que uma viagem a Chipre dificilmente se esgota em uma única visita. Eu, por exemplo, sigo planejando a nossa volta desde que saímos daquela ilha!

